"Te amo, te amo, te amo, te amo, te amo". O refrão insistente de "Disco arranhado" foi repetido com caras diferentes, de piano pop a batida crua de funk, e rodou durante quatro anos pelo Brasil até emplacar de vez como hit nacional.


Está no celular de Tierry até hoje um arquivo de áudio gravado no dia 11 de outubro de 2017, chamado "Disco arranhado - Os Menotis". O baiano ainda não era conhecido como cantor de arrocha, mas já era requisitado como compositor por sertanejos como César Menotti & Fabiano.


Quem ouve o funk de 2021 não imagina que tudo começou com uma balada arrastada e um teclado com efeito de grand piano que lembra o pop inglês dos anos 1960. "Pianão britânico. Melancólico e ao mesmo tempo romântico", define Tierry.


O jeito retrô da balada para "casais que querem se declarar" combinava com a ideia da composição. "O 'te amo' repetido é a materialização poética do disco arranhado", ele diz.


"Eu queria que as pessoas não só ouvissem, mas que elas conseguissem ver o disco de vinil arranhando na hora certa", descreve o compositor.

Depois de gravar a versão demo (a demonstração que os compositores fazem para testar e vender a música), o criador enviou o arquivo de "Disco arranhado" para a sua primeira jornada: de Salvador, onde foi composta, para Belo Horizonte onde Cesar Menotti & Fabiano preparavam um disco.




Os irmãos receberam o arquivo e gostaram da ideia. Escolheram "Disco arranhado" como primeira música de trabalho do álbum "Não importa o lugar" (2018). O início lembra o jeito de balada clássica da versão demo, mas logo entram percussões e violões que levam o arranjo para outro lugar.


A bachata, ritmo latino derivado do bolero, era a queridinha da vez das duplas brasileiras. Assim o público ouviu "Disco arranhado" pela primeira vez: no balanço suave de dedilhados e da percussão. Por cima, o vocal sertanejo romântico dos irmãos nascidos no Paraná e em São Paulo e criados em Minas.


O clipe tinha o ator Lucas Veloso, que havia acabado de interpretar o Didico na nova série de "Os Trapalhões", e sua então namorada, a dançarina do "Faustão" Nathalia Melo, que ele conheceu como professora no quadro "Dança dos Famosos".


Mesmo com o casal do momento , a música teve, em 2018, um desempenho abaixo da média dos grandes sertanejos. Foram 5 milhões de plays no YouTube, número baixo para os padrões de uma faixa de trabalho da dupla - e uma parte da audiência veio agora, com as novas versões...




Malu tinha 17 anos quando gravou "Disco arranhado" no seu primeiro disco promocional, em julho de 2019. A cantora de Vitória da Conquista conhecia a canção na voz de César Menotti e Fabiano, e gravou por uma sugestão do seu tecladista.


Ela acelerou a balada dos sertanejos e transformou em um arrocha, de arranjo próximo ao brega, com um teclado característico. A introdução anuncia a cantora como "a nova voz romântica do Brasil".


Malu gostou da música por falar de amor, bem no estilo do repertório que estava desenvolvendo. Acabou, sem grandes pretensões, emplacando seu primeiro sucesso.


"Falo que tem música que tem dono, não adianta... Acho que foi isso. O Tierry fez essa música para mim, mas a gente só soube depois", brinca.

Ela diz que parte considerável do seu público, inicialmente restrito ao Nordeste, é formada por caminhoneiros. Não é à toa que o clipe é uma homenagem a eles — e a elas.


O vídeo colocou a música no contexto de quem vive viajando e sente saudade da família. Malu decidiu representar a classe com uma caminhoneira. "Além de homenagear os caminhoneiros, também queria empoderar as mulheres", diz.


A cantora também tem carinho pela profissão por conta do pai, que é pastor, mas já foi caminhoneiro. Com a música, ela se projetou no Nordeste - a agenda de shows só crescia até chegar a pandemia.




FONTE: G1

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